Qualquer erro é mera coincidência
agosto 10, 2009Nerdinho
agosto 17, 2009postado por Marília
Marina sempre chegava à casa amarela faltando cinco minutos para a meia noite. Fechava a porta e, no caminho até o banheiro, tirava a roupa e a jogava no chão, sem se preocupar com a bagunça. Tomava um banho bem quente de, no mínimo, meia hora e saia nua pela sala, com a pele branca vermelha. Marina morava ali há seis anos, desde que seu pai faleceu, mas sempre chamou a casa de casa amarela e nunca de sua. Uma hora da manhã Bruno ligava para perguntar: Tudo bem?
Mas hoje Marina chegou à casa amarela, molhada da chuva, e abriu uma das garrafas de vinho tinto seco do armário de seu pai. Sentou no sofá, que logo se encharcou da água que escorria de suas roupas e, bebendo o líquido em uma taça, chorou. O telefone tocou ininterruptamente entre uma hora e uma hora e meia da manhã. Sem saber se tudo estava bem, Bruno teve enfim a certeza de que a amava. E ter essa certeza o irritava tanto quanto a sua pontualidade para telefonar. Mas Bruno sabia que ele era inevitável demais para não ser tão óbvio.



