Carpe Diem – mergulhando de cabeça (para o fundo do poço)
agosto 18, 2010Diálogo 1977
agosto 20, 2010postado por Rafaé
Depois de muito tempo, ele pôde se entregar novamente aos pequenos prazeres, nem sempre compreendidos pelos outros. Não que sejam coisas que nós, aqui, possamos entender e achar bonito. Mas cá entre nós. Podemos ser indiferentes, ao invés de reprovar.
Caminhando assim, visivelmente inquieto, não se pode saber o que se passa por trás daquela expressão de semi embriaguez e riso contido. Talvez sejam as lembranças daquela mão, despida da luva, que ia e vinha, levando o cigarro àquela boca, até então desconhecida. Aquelas unhas vermelhas desafiavam a autonomia dos seus olhos, que já não compreendiam a realidade fora daquela mesa.
Pouca coisa fez sentido naquela noite. As lembranças não são tão nítidas, apesar de senti-las com um certo prazer, devido à certeza da sinceridade e intensidade daqueles delírios. No dia seguinte, a primeira imagem que conseguiu captar, além da garrafa d’água na geladeira, foi a daqueles olhos que refletiam a realidade além da janela (que não o atraia mais do que aquela cama). A cor daqueles olhos? Não soube definir. Cores não traduziriam o conforto transmitido pelo olhar de quem passou a noite inteira ao seu lado, com suas sinceridades.
Eis que o telefone tocou e a realidade (lá de fora) o chamou. Pronto, chegou a hora de juntar os pedaços da noite e montar versões convincentes…




1 Comment
Caramba Rafa…. adorei seu texto…. e lendo esse texto me veio uma ideia…. quando colocar em prática te aviso e você lê no meu blog.. beijos