
Tentei vadiar,
outubro 15, 2012superação
outubro 21, 2012Por Heitor, leitor um tanto quanto desatento
34 abas abertas. níveis caóticos de consumo de informação nunca foram tão comuns. não sei o que comi ontem, o que vesti ontem. Agora, fantasiado de mendigo moderno, estudo a era de ouro do rádio, confiro redes sociais, wikipedia.com, brasilescola.com, americanmusichistory.com, anotherunreliablesource.com. a internet me abarrota de todo tipo de conhecimento. Gatinhos manhosos invadem a tela do computador fazendo as mais graciosas peripécias. Eles são bonitinhos e pedem carinho e atenção. Eles amam a internet e são correspondidos. As pessoas não. Elas competem com os gatinhos, mas são feias, estranhas
e a carência delas beira o ridículo. Sei disso, mas não consigo deixar de simpatizar. Com ambos. Também sou um ser humano, carente, ridículo. sei o que é viver atrás da tela, em cativeiro, a cabeça ligada por fiação sinistra à grande rede. Mas nada de alarmismos, até porque não duro 5min lá fora. bate um desconforto nauseante, e o retorno é certo. As 34 abas tão ali, me encarando, pedindo um reencontro, pedindo meus neurônios.
Eu aceito.
os olhos abertos, vibrando em tantas cores, secos de atenção ininterrupta, opacos, estáticos, maravilhados com o movimento; ouvidos semi-atentos, impregnados do som que disputa espaço com o pensamento, fixação compulsória, conexão eterna. O estudo que já não rendia mais. Tinha começado na dinastia carolíngia e agora me flagrava vendo as novidades da aviação agrícola australiana: desafios e propostas para um futuro melhor. Via design, humor pateta, crítica social, natureza, significado dos sonhos, receitas de comida de microondas, pesquisa bibliográfica, tumblrs da sociedade racional, amigos no foursquare, maiores existencialistas do séc. 13, redes sociais, redes de pesca, redes de supermercado, das grandes corporações às grandes favelas, jogos de poker do homem neolítico e seus desdobramentos, o sono inominável pela falta de vocabulário. Fim dos neurônios.
puxei o plugue da tomada pra reiniciar o sistema. Sobrou energia, mas faltou atenção. com tanto conteúdo inútil é inevitável ter o cérebro entupido feito carótida pelo pior conteúdo da pior qualidade.
sou a criança que se deleita no café da manhã com aquela margarina de plástico sem nome. E continuo.




