a ética secreta dos garçons
novembro 19, 2012passou
novembro 29, 2012Escrito por Deisy
Sou feita de um copo cheio. Não meio cheio, nem meio vazio, mas cheio. Cheio de uma paixão incontrolável, dona de um coração de carne, que sente tudo com a leveza e a dor de um corte rápido feito por uma folha de papel sulfite.
Esse amor, que por vezes se perde dentro de mim, tornando-me sozinha a ponto de fugir e me enfiar no abraço das pessoas, como um cachorro que tem medo de trovão e se ampara em qualquer canto da casa, na esperança de se sentir seguro e confortável. Desespero-me quando as coisas são desejáveis, e ao mesmo tempo inalcançáveis.
Como papilas aflitas após saborear um tempero agridoce, assim me sentia enquanto as mentiras me rodeavam. Quando eu percebi, estava encurralada e não importava o que eu fizesse ou quais caminhos eu seguisse, as mentiras me perseguiam, sustentando em minha alma e no brilho dos meus olhos a dor da culpa. Todas as verdades secretas apodreciam, dentro dos meus pensamentos, virando tumores em minha garganta.
Senti os seus olhos se afastando dos meus enquanto as nossas bocas salivavam e transbordavam em palavras. Por um momento você se afastou e eu pude observar seu sorriso de longe e nossas vidas se desencontrando. Sabia que eu não fazia mais parte daquela alegria.
A dor aumentava dentro do meu peito, uma ou duas lágrimas caíram junto aos cacos da minha alma, falecendo enquanto os meus pensamentos pulsavam em minha cabeça, como bombas sem controle.
Respirei duas, três, mil vezes e, então, esse coração maluco, que há segundos atrás estava embriagado em desespero, lentamente sentiu a angústia se espatifar no chão e voar com o vento.
Um sorriso tomou conta do meu rosto. Não um sorriso triste ou alegre, mas um sorriso livre. Caminhei um, dois, três passos. Dessa vez as mentiras não estavam mais ao meu lado.
Já se passaram 3 semanas e 2 dias desde a ultima vez que te vi. Sinto falta até de poder sentir a sua falta. Melhor assim, os dias são diferentes agora, porque tenho a alegria em ser livre. Essa é a sensação mais suprema.




