Cúmplices
maio 27, 2013Ver-sos-de-nos
junho 6, 2013Participação mais que especial da nossa cofundadora Marcela Requião
Como quem já sofreu o bastante na vida, chegou.
E sem pedir nada, ganhou muito mais do que jamais teve.
Ao ser convidada a entrar, acanhou-se e chorou. Brincadeiras não fazem parte de seu dia-adia há muito tempo e a risada dos outros lhe causa estranheza, um incômodo que começa a se transformar em conforto.
Este conforto. Uma blusa esquecida, uma cama quentinha, e, agora, um convite para entrar.
Assim como outros em sua presença, não soube como reagir. Mas passou a observar, a aconchegar-se num espaço que não era seu e esperar por aqueles em quem não confiava.
Simples gestos assustadores mudaram de significado.
E diante de briga recua, mas manifesta a inusitada reação de bater o pé como quem diz “odeio quando fazem isso comigo”. E surpresa: hoje ela pode falar.
Não mais fugir. Não mais se submeter por medo. Entendeu que isto nada tem a ver com respeito. Ainda menos com amor.
Fica. Primeiro em corpo e agora em olhar.
Em uma casa ocupada é mais uma. E onde precisavam de calma, trouxe gentileza. Sem saber que este era o recôndito segredo dos que ali habitavam, a transmite com tanta docilidade, que jamais deixará de ali pertencer.
A Dora (nada) Aventureira passou a ser aDorada. Minha Dora dourada.



