Como quem já sofreu o bastante na vida
junho 3, 2013Soliloque
junho 10, 2013por Rafael
Esforço vão foi o de tentar nos escrever. Sei, mas tento me esquecer de que jamais tive punhos tão ágeis para registrar você e acompanhar a velocidade com que transita e se reinventa dentro da sua própria existência.
Por mais que eu permanecesse imóvel no tempo, no espaço, o nós seria sempre algo diferente-a-cada-momento, além de cada possível-interpretação.
Me conforta saber que um episódio de sinceridade dispensa compreensões. Por isso desisto destas linhas e aceito que você segue sempre um passo à minha frente. Sequer olha para trás.
Eu, devagar, me dou ao luxo de juntar meus pedaços que se misturam aos versos que resvalam dos seus passos leves, como passeássemos num entardecer em Mercúrio.
Um passeio que jamais fizemos, ou adiamos para uma próxima encarnação.
Ainda atrás de você, com um golpe furtivo, anoto em um pedaço de papel rasgado:
nunca tão longe, sempre à vista
te miro sem que me sintas
te vivo à minha maneira
em um mundo onde
o tempo não nos atinge
corre às margens de nós




