A inadimplência no mundo do ioga
junho 27, 2013
Lágrimas no Paraíso
julho 4, 2013por Teresa
Talvez eu estivesse te esperando, ela disse. Ele não entendia como. Afinal, tanto tempo… Mas ela disse talvez. E talvez nem saiba do que está falando. Foram muitas garrafas de vinho. As que ele tinha em casa, as duas que ela trouxe de onde veio. Agora mais nenhuma. Mas nem precisariam. A verdade já estava ali, como evocada. A verdade em pessoa, ele pensou e riu. Que cara teria a verdade, se pudesse ser vista? Ela apoiava a cabeça em uma mão e com a outra brincava com o isqueiro na mesa de toalha xadrez. Ele lembrou de um roteiro que um dia escreveu. Era sobre um casal que, depois de jurarem amor eterno, se perderam e, no reencontro, depois de muitos anos, resolveram cumprir com a promessa. Não se tratava de compromisso, convenções, ele sempre justificava ao contar sua história. Era em relação ao sentimento mesmo. Eles viveriam a vida que quisessem, livres, e ao final de cada ciclo, se encontrariam e se amariam. Era um pouco do que ele esperava pra si e muito do que sentia ser sua verdade. Mas será que ela esteve mesmo esperando? Que desgraça essas suposições todas. Ela sumiu por tanto tempo! Voltou com tanta coisa pra contar. Era bonito vê-la ali, marcada por uma sequência de desastres pessoais e, ainda assim, sorrindo. Ela sempre sorria. Era um sorriso complacente, quase como uma promessa de: se tudo der errado, eu ainda estarei aqui, sorrindo pra que você volte a acreditar. Sempre que se perdia, ele fechava os olhos e lembrava dela sorrindo. Coloca alguma coisa pra gente ouvir, ela pediu. Ele levantou, lento, o corpo pesava mais do que antes. Escolheria um vinil, decidiu. Um Coltrane. Vamos fingir ser adultos, disse ela.




