19h28
julho 29, 2013Na ilha de uma revista famosa
agosto 5, 2013por Rafael
De repente, como quem se descobre em um sonho, me via dentro de um aquário. Não. Não era bem isso. Aquários servem para assistirmos ao viver dos outros e não ao de nós mesmos. O lugar onde observamos nossa existência se chama espelho, ou, para os de maior criatividade, consciência. Ilusões, talvez.
Verdade é que estive ali o tempo todo, perto de mim, prestes a me tocar. Num daqueles sonhos em que não conseguimos nos livrar de nossas limitações. Não me alcancei.
Gritei, e como gritei. Com todas as forças que jamais acreditei possuir, mas não era capaz de me escutar.
Peguei tudo o que tinha ao meu alcance e jogava em direção ao vidro, em direção a mim, em direção alguma. Como não soubesse o que estilhaçar, mutilava um tanto de tudo.
Busquei com todas as forças me entender em meio àquele aquário que jamais foi uma redoma, assim como eu, que jamais havia sido sincero com meu próprio existir.
Podia tocar o vidro, e tocava. Era um cristal fino, como tudo o que limita nossas vidas. Sentia o calor do meu corpo, que se escorava nos limites, sempre pelos cantos, guiado pelos medos-de-sempre.
Medos que só são visíveis aqui de fora, para quem assiste. Lá dentro, blindamos nossos temores com falsas cascas que fingem ser nossos-sólidos-pilares.
Guiado por desejos não vividos eu existia lá dentro. Eram eles quem ditavam minhas escolhas. O mundo lá dentro era limitado pelas inevitáveis estradas que sempre me levariam a destinos certos.
Além delas, campos. Campos indefinidos, que sempre me seduziram.
Aqui fora eu gritava, esbravejava, batia no vidro com todas as minhas forças. Os campos eram o meu caminho e eu sempre soube disso. Aqui e lá.
Por medo, parei.
Acordei.
Parei de bater no vidro, parei de andar pelos campos. O caminho agora me guia e eu me esforço em segui-lo.
Sóis, chuvas, amores, perdões.
Todos levam consigo um pedaço de mim.
Mas eu me recomponho, me reinvento, me sigo, me guio, me observo, me desespero.
Estou vivendo.




