Ventos da desgraça
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“A alguma coisa devemos nos dedicar nessa vida, para não ficarmos tão passivos, à deriva de um mar que, no fundo, não se importa conosco”. H. escreveu estas palavras em um guardanapo, dobrou e guardou no bolso-interno-esquerdo de sua jaqueta jeans.
Sem saber se algum dia entregaria à moça que almoçava à sua frente, se ela existiria além daquela mesa, sequer se ele mesmo voltaria a olhar aquele papel rabiscado, empurrou o prato meio vazio, levantou e foi embora sem olhar para trás.




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De dentro do seu quarto sentado ao lado da escrivaninha, o poeta matutava ansiosamente como terminar aquele verso. Deveria anotar então em um guardanapo sujo e velho e guardar dentro de um livro para terminar depois. Percebeu então a ironia. Guardaria dentro das páginas emboloradas de um livro um pretenso começo de um suposto livro que nunca seria escrito. Resolveu então mudar a história e colocar um rapaz apaixonado e frustrado que escrevia coisas em guardanapos e não encarava o amor como deveria.