
Carlos, o Silêncio e a Sirene
fevereiro 3, 2014Em algum lugar algo nos espera
fevereiro 11, 2014por Nina Zambiassi
São Paulo, filosofia, a nova vida de professor universitário, o filme do Lars von Trier: tudo o que se fala nesta mesa. Mas se virar a esquina para a esquerda, um baseado passa de mão em mão e a fumaça sobe em volta de um grafite de um menino negro e pobre. Ou se preferir, sentido litoral, tem o morro do sabão. Diante do morro, cólicas menstruais. O sangue escorre pelas pernas. Ao longe, o mar. Um deserto de caminhada sem fim. E pra variar, no hemisfério norte, três mexicanos abandonam um brasileiro em meio a outro deserto.
– Dizem que a morte no deserto é a melhor que tem, você fica molinho, molinho e apaga, desidrata, nem sente.
O celular epilético se contorce dentro do bolso. Ela te liga todo o dia? Mais de uma vez por dia? Não vai atender? Agora não, daqui a pouco. Tenho que ir. Tão cedo? Ela tá te cercando, fica esperto. Eu vou levando…
Na mesma rua, um portão de garagem se abre para uma família de ácaros. Em meio às antiguidades, levo o meu dedão à boca e chupo, feito criança. Ele retorna molinho, molinho, feito morte no deserto.




