sonhava ser poeta
março 31, 2014Dependência
abril 7, 2014Hoje a tinta de minha caneta escureceu em luto. Antes azul, aos poucos fez negros todos os garranchos sobre o papel.
Pois a morte me revelou sua verdadeira face. E logo eu soube que a gadanha, sempre escondida, cedo ou tarde viria a se revelar. E percebi que aquilo que começou lúgubre não poderia terminar diferente.
Afinal, ela é assim, não pode ser compreendida ou controlada, nem mesmo por si própria. Acaba com tudo por mero acaso e, por mais sutil, sempre faz estrago. É viciada em desconforto, euforia, dorme em uma cama de espinhos. Em cada porto seguro que encontra faz questão de atear chamas.
No entanto, os espíritos que não partem da melhor forma são aqueles que acabam voltando. E assim estou de volta, vida cã. Confesso que senti saudades.
De volta à garoa fina e aos sons brutais a machucarem os ouvidos. Ao veneno puro de lágrimas engolidas. E à consciência de que o amor existe, mas, assim como a paixão, também se acaba.
Acaba como a história daquele escritor que, não sabendo como finalizar sua bela obra, jogou ao lixo todas as admiráveis páginas anteriores.
Resta-me também jogar aquelas cartas de outra vida à lixeira. Esse local aparentemente irrelevante que às vezes guarda o que mais queremos esconder. A lixeira, que guarda o que há de pior em cada um de nós.
M.





