
Desculpas a Tigrinho
agosto 21, 2014
A Matriarca
agosto 28, 2014“Toma só mais uma taça comigo, por favor.”
Ela aceita. Ela anda exatamente como você, ela fala de um jeito suficientemente parecido contigo e se porta pouco ou quase nada como você. Ela é linda e, na verdade, diferente de você ela é ruiva. Parece perfeito, né? Achei alguém mais ou menos igual a você, só que ruiva. Olhos verdes, gigantes. Os seus são marrons e pequenos, sem gracinha. Sobre o decote, bom… Sem palavras.
“Só mais uma, pode ser? Senão depois dessa eu não consigo mais dirigir.”
Eu aceito. Eu só preciso mesmo de mais uma pra levar essa mulher pro chão aqui mesmo, no meio dessa sala. Duvido que resista. Já não é a primeira nem a décima e muito menos vai ser a última a se deixar levar pelas minhas palavras e pelas sempre irrecusáveis taças de vinho. Eu sou assim mesmo. Eu sou como você, só que numa versão mais filho-da-puta.
“Que tal mais uma?”
Ela nega. Incrível, mas ela parece realmente disposta a me deixar nessa situação ridícula em que eu vou ter que ficar um tempão imaginando a textura do corpo branquíssimo por baixo desse vestido ou talvez ligar pra uma ex-ex-ex (vulgo você), e tentar trazer aqui pra casa. Não estava nos planos, mas faz parte. Espero que não precise.
“Chega pra mim, vou nessa. Me diverti, vamos marcar outra qualquer hora!”
Eu nego por dentro mas aceito por fora. Finjo que sim, mas na minha cabeça eu quero mais é que ela se foda. Que nunca mais apareça. A ruiva pisa na minha casa, toma do meu vinho, derruba do meu vinho no meu tapete e no fim da noite não rola nada. Procuro seu nome na agenda do meu celular e não acho. Porra, lembrei: você está na letra P, salva como “Plano B”. Eu ligo mas só chama. Ligo mais uma e mais outra vez. Nada. Aí eu desisto e me concentro em imaginar a textura daquele corpo branquíssimo. Definitivamente, não era esse o fim de noite que eu esperava.
Rômulo Candal
Crédito fotografia: TempusVolat/cc





