
Sábado
agosto 14, 2014
Desculpas a Tigrinho
agosto 21, 2014Estamos no ano de 2020. Mais precisamente no segundo sábado do mês de agosto, um dia antes do dia dos pais. Na escolinha de Thor, um menino de sete anos, é dia de levar os pais para brincar e comemorar. Thor está ansioso.
Thor foi nome dado por seu pai em homenagem ao deus mitológico, grande, forte, nobre e imponente. Mentira, isso é o que ele disse para convencer sua mulher. Na verdade a homenagem foi ao personagem dos quadrinhos da Marvel, o que dá quase no mesmo, mas a mãe de Thor nunca aceitaria dizer aos outros que seu filho tinha nome de personagem de quadrinhos.
Já sobre o nome do pai de Thor – que não é Odin – não há o que dizer. Isso pois ele está na época de ser chamado apenas de “pai”. Até mesmo sua esposa começou a chamá-lo de “papai” como uma brincadeira carinhosa que perdurou pelos últimos sete anos e ainda promete perdurar. Seu nome, portante, é irrelevante para esta história.
Enfim, eis que estamos na escolinha quando, após uma homenagem dos alunos a seus pais, todos são convidados para brincadeiras no grande gramado do campo de futebol. As crianças correm freneticamente para apanhar as bolas, pipas, pernas de pau e outros brinquedos mais. Os pais acompanham, apesar do bucho maior e da disposição menor. Logo todos estão brincando.
O pai do Paulinho, amiguinho de Thor, está com seu filho jogando bola, batendo pênaltis. Revezam-se em quem chuta e quem defende. No gol, às vezes o pai do Paulinho deixa a bola entrar para fazer a alegria do garoto.
O pai de Thor acha bacana, mas não se arrisca. Futebol nunca foi a sua praia. Só daria vexame, não iria conseguir enganar nem o próprio filho.
O pai do Thiaguinho já é um cara mais velho, sendo que ali está com o filho caçula. Eles brincam com um iô-iô. O pai é especialista, lembra bem de algumas manobras como dorminhoco, volta ao mundo e cachorrinho passeando. O filho se bate para fazer o rolamento subir pela corda, mas se diverte.
Já o pai de Thor admira, mas não se lembra mesmo como se faz para brincar com um iô-iô. “Pai,vamos então soltar pipa? Olha ali, que nem o pai do Juninho” implora Thor.
O pai de Juninho está empinando pipa com seu guri. Ou papagaio, raia, pandorga, sabe-se lá como chamam. O vento, por sorte, está colaborando, e a pipa não para de subir. Mesmo assim, já é de se esperar a resposta do pai de Thor: “Não lembro como se solta pipa, filho”. Não lembrar, claro, é um eufemismo. Na verdade ele nunca aprendeu.
“Acho essas brincadeira todas um tanto quanto antiquadas” pensa o pai. Não veio preparado para isso. Absorto e com certa inveja dos pais dos amiguinhos, é então interrompido por seu filho, que agarra sua mão e diz:
“Pai, vamos pra casa jogar Playstation 5. Aposto que lá ninguém ganha de você.”
O pai enxerga o orgulho incólume nos olhos do filho. Seu orgulho é gigantescamente igual.
“Você tá certo, filhão. Vamos jogar.”
Murilo
Crédito Imagem: Dunechaser via Compfight cc





