
Quarta-feira
setembro 8, 2014
Coletivo
setembro 15, 2014Sabe,
eu queria escrever um texto
sobre a nossa história.
Mas a gente não têm uma.
Queria contar da vez que tomamos sorvete.
Eu escolhi gianduia
e você limão siciliano.
Acabamos comendo mais um do outro
do que dos nossos próprios sabores.
Queria contar da vez que exploramos uma trilha
e voltamos à noite, sem lanterna.
No calor que estava, decidimos entrar no rio
e transar à luz da lua.
Contar das vezes que você bebia demais
e ficava insuportável.
E as vezes que eu bebia demais
e ficava mais chato ainda.
Então descobrimos que o melhor
era enchermos a cara juntos.
Queria contar das nossas viagens
e das nossas intermináveis discussões
sobre temas extremamente relevantes, como:
Banoffi ou Torta Alemã,
Weiss ou Stout,
Neil Young ou Bob Dylan,
e se Bukowski era genial
ou uma porcaria superestimada.
Eu queria contar tudo isso
mas nada disso aconteceu.
Cada um escolheu seu caminho,
momentos com outras pessoas,
e certamente vivemos histórias únicas,
mas não a nossa.
É uma pena
que o futuro com um pouco de passado
pareça tão mais seguro
que o futuro por si só.
Minha esperança talvez seja
que enquanto restem folhas em branco
reste história a se contar.
Sabe,
esse é o tipo de texto
que faz menina chorar.
É assim
quebradinho em linhas,
meio bundinha-mole,
e conta uma história de
amor/desamor.
As palavras encantam
embaladas por uma trilha sonora
de pura melancolia.
Esse é o tipo de texto
que mesmo falando
do que muitos já viveram
– ilusões/desilusões –
parece que foi escrito
especialmente para você.
E quando você repara
não para de rolar a página
enquanto rolam as lágrimas
pelo seu rostinho.
Murilo
Crédito Foto:Gabriela Camerotti via Compfight cc






7 Comments
massa
.
.
Realmente parece
Que ele foi feito pra mim
Até o de limão siciliano…
Toda essa história, enfim.
Essa página em branco,
Esse presente/passado
Essa trilha, o rio,
E esse Bukowski superestimado.
Só pra acrescentar,
Não é Neil Young ou Dylan,
Mas é uma música que me toca
E me faz cantar
hahaha =)
Boa, Mariana. Essa seria uma ótima trilha sonora para o texto, hein?
“Meio bundinha-mole” mesmo! hahaha
Muito bom.
Eu pensei que no final, ele seria honesto e dizer
esse é o texto
bunda bole e coisa e tal
que eu só escrevo
pra tentar comer você
porque é bem pra isso mesmo.
me dê.
fim