
Presente incômodo
dezembro 4, 2014
Em casa
dezembro 8, 2014Paro na primeira esquina após o bar, penso – porra, que vontade de tomar algo forte e barato – dou meia volta, sento na cadeira próxima ao balcão, maldito chinês, me olha e pergunta o que quero tomar, logo digo que quero o que ele tem de mais barato e forte, dou um trago, dois, três e assim sucessivamente. Me levanto e na hora sinto uma leve tontura, penso ter tomado umas duas garrafas daquele líquido que parecia água suja, mas do qual eu nem sentia o gosto após o terceiro copo.
Saio do bar e me dirijo a uma avenida que fica aproximadamente a umas 5 quadras dali, juro que nunca fiz um caminho tão longo. Também pudera, no caminho encontrei mais uns 4 bares e parei em todos, no último comprei uma garrafa de vodka, sentei em um dos bancos, longe de todos, mas, não por muito tempo, afinal eles foram se aproximando e cada um pedia um gole e me oferecia o que tinham e eu aceitava de pronto, afinal fudido, fudido e meio. Alguns chegaram me perguntando se eu tinha um fininho, pó, se eu fazia programa, entre outras coisas, pensei comigo – bando de filhos da puta – e deviam ser da mesma, pois, eram todos iguais ou quem sabe eu que já os enxergava da mesma forma, afinal a bebida faz isso, mesmo que com quem diga ser forte para bebida.
Eu tinha um galo no bolso, reservado para o quarto, nunca fui de dormir na rua, acho que não conseguiria e nem gostaria de tentar, resolvi ir para o hotel, no caminho comprei um rango, uma pinga e uns cigarros, a noite iria ser longa, ainda bem que poderia assistir o programa do Jô e ver aquele maldito hilário mandar um beijo do gordo, logo após assistir o corujão, então tomaria um banho deitaria e dormiria, até mais ou menos 10 horas, pois, era a hora em que serviam o café que diga-se de passagem era uma bosta, mas, nessa vida não tinha escolha, era comer ou morrer de fome e então decidia que comer era a melhor escolha, pois, se fosse pra morrer que fosse por algo justo ou de morte morrida como dizem por ai.
Levo minha vida como posso, junto meus trocos, converso com muitas pessoas ao longo do dia, conto-lhe minhas histórias, as vezes peço uma brasa para acender um fininho e enfim pensar na vida.
Me lembro que estes dias, estava caminhando sozinho por ai, com uma ponta na mão, tentei acender no isqueiro mas só queimei o bigode, logo que vi um jovem fumando pedi para que pudesse acender para mim, então ele deu umas bolas e ficamos conversando por longas horas, como se fossemos amigos há tempos.
Giovane Santos





