
Cotidiano
março 23, 2015
Dante ou Drauzio
março 30, 2015Escrever. Escrever. Escrever. O respirar de uma alma.
Escrever. O sopro mudo do sentir.
Da fase extrema que encontra o antes, o aqui, e o depois; escrever é o ápice.
E mesmo que a mão trema sem saber aonde vai, os olhos sabem.
Acompanham, cúmplices e atentos.
Escrever é anti-desespero, digo em tom calmo. Nada falta.
Escrever está acima da lei do querer. Além do desejo que anseia.
Ouso então dizer que escrever não é ser, é estar. Nem lá nem ali, mas sempre-indo-e-sem -pressa. Só pra chegar onde sempre se esteve.
Escrever é não-falso. Não-rígido. Pausa leve.
O que eu faço com o escrever? É ele quem me faz.
“O negativo é apenas a noite do ser”, dizia um velho amigo. E eu? Sou o amanhã do que não fui hoje. A manhã do dia nu. Aguardo.
É, escrever é o não-entender. E acho que isso você já entendeu.
Escrever é o bebê antes de nascer. Um guaxinim. Uma estrela. Neutr(a)(o).
Qualquer espasmo é apenas lombada. Continuemos sem muito refletir, pois escrever é associação espontânea de material delirante.
Vou dizer: O escrever me liberta. Sim, O escrever, pois escrever é macho. E mesmo que palavras sejam fêmeas e frases sejam mães, no meio dessas deusas loucas, nasce um homem. E enquanto frases morrem frias a caminho da lua, o escrever segue quente.
Do lado de lá? Escorre o tempo em fluxo continuum. O resto é distração, onde às vezes sou rio e às vezes pedra. Às vezes sorrio.
Ouça: escrever é um faz-de-conta. Uma vida inventada, uma página parada. E se é sem vírgula é porque a idéia jorra.
Eu escrevo como quem sangra, imortal. Convido palavras ao reino do indizível. Mas sou puro silêncio, se o diálogo é febril.
Escrever é da ordem do absurdo.
Bia Lética





