
Março
abril 18, 2015Calor no sol, vento na sombra
abril 30, 2015Seu relicário, que eventualmente também exerce a função de guarda-roupas, abriga tudo o que sobrou de um relacionamento de sete anos: uma camisa, devidamente acomodada entre alguns pijamas velhos. Desde o fim, nunca teve coragem de vesti-la. A contempla com frequência, às vezes tira do cabide e a contrai sobre seu rosto. Nenhum cheiro, nenhum gosto e nenhuma lembrança. Não sente nada. Não torna nada mais fácil e nem o traz pra perto. Faz sem saber o porquê, apenas por força do hábito, um vício. Mas a gente bem sabe, como é difícil abandonar um vício.
Gabriel Protski





