
Sob o assoalho
maio 9, 2015
Novelas não ensinam a amar
maio 14, 2015Uma urgência tardia trazia a sequência de um dia que jamais terminaria.
Ele não sabia, mas aquela bala, cuspida por um cano que ainda ardia, seria a última visão que jamais teria. Selvageria pesada e a via parada, pessoas se perguntando o que é que havia e por que é que se fecharia a via por alguém que ninguém conhecia. Tanta correria, tanta gritaria. Gente que ia, gente que ria e fazia piada. Gente vadia que a morte atraía. Gente sadia que não entendia como é que podia matar por mixaria.
Sua filha não beberia mais o leite quente, que ele mesmo fazia, com alegria, ao chegar em casa, quando a noite caía.
E a cabeça, antes só poesia, agora estava vazia. O crânio partia, o sangue escorria. Em um dia que, para ele, não mais terminaria.
por Rômulo Candal
Fotografia: “D2X_4279”, por stickerHelsinki documentation project./cc





