
Katie
junho 19, 2015
Saco
junho 25, 2015A luz está muito cara. O cara da Copel lê mais ou menos o mesmo consumo desde sempre no apartamento de Maria, mas o preço só aumenta, ao contrário do salário dela. A cobrança mais recente, paga no começo de junho, chegou a quase R$ 60 – o que ela considera um abuso. Hoje em dia os técnicos da companhia de energia marcam os números do leitor e já imprimem a conta na hora. Eles inclusive podem entregá-la em mãos ao morador da casa – o que não aconteceu dessa vez.
Foi aí que apareceu a ideia. Neste momento as chaves de luz da quitinete estão desligadas, e o plano é repetir o hábito durante 15 dias por mês. Ela carrega o telefone celular todo dia numa tomada do corredor do andar no prédio. Não há nada de mais para estragar na geladeira. O chuveiro a gás já é incluso no custo de condomínio e, em resumo, agora ela tem um pouquinho mais de dinheiro por mês. Ou, pelo menos, o plano é conseguir juntar usando este método de economizar aqui e ali, fumar menos, beber menos, comprar menos doces depois do almoço, enfim.
Carlos chegou e foi bem recebido. Estranhou o ambiente. Abriu a primeira das duas garrafas de vinho que trouxe. Era um chileno, comprado numa loja de produtos apreendidos pela Receita Federal perto dali. Na internet aquele item custava caro, mas ali na loja saiu por pouco menos de R$ 40. A segunda garrafa era de um vinho mais simples, para quando o sabor do que se bebia fosse menos importante que o ato de continuar bebendo.
Ela gostou da história dos vinhos e da Receita. Ele se divertiu com as questões do técnico da Copel, dos cigarros, da bebida e dos doces depois do almoço. A solução para a falta de luz estava nas três velas acesas em cima do balcão que separa a cozinha do resto do espaço. Para resolver a falta de calor, o problema verdadeiro desses dias, eles tinham um ao outro, e isso bastava.
Ilustração: Eti Pellizzari
Texto: Marco Antonio Santos





