
Pai
junho 11, 2015
Katie
junho 19, 2015Eu olhei pro céu como quem diz, sinceramente, “puta que pariu, hein, deus?”. Foi como se eu tivesse ofendido mesmo alguma entidade maior, porque poucos minutos depois o céu começou a verter água de um jeito meio diluvial. Pisei numa poça e meu pé esquerdo ficou encharcado. Fiquei um pouco puta. Lembrei que não acredito em deus e entrei numa lanchonete tosca pra pegar uma coxinha. Se era pra esperar a chuva passar, que fosse alimentada.
Foi a partir daquele dia que eu parei de proferir a sentença “coxinha até quando é ruim é bom”. Aquela coxinha tava tão ruim que eu pensei em comprar uma segunda e deixar na porta da casa daquele outro retardado que tá hospedando o Renan. Com um bilhete escrito “Para meu amor”, assinado por euzinha. Só que ele podia achar que tava envenenada, sei lá.
Se aquele idiota não fosse tão idiota, as coisas não estariam assim pra mim. Escroto. Dia desses, se arrependeu. Mandou mensagem no celular dizendo “Tô com saudade do Sr. Luvinhas”, o gato que mora lá em casa. E eu? Eu só respondi com outra mensagem, com todas as letras separadas, que dizia: “F O D A – S E”. Cretino.
Não quero passar por psicopata, só queria que ele comesse essa coxinha nojenta. Idiota e morto de fome que é, ele ia comer até o fim. Eu joguei fora pelo menos metade da minha. Comi a metade com o frango e o “catupiri” – com aspas, que aquilo passava longe de ser catupiri de verdade – e mandei pro lixo o pedaço do bico, da massa.
Porque eu posso até ter o meu ego ferido, mas nunca vou ser mulher de começar a coxinha pelo lado errado.
por Rômulo Candal
Fotografia: Alexandre.Nascimento via Compfight cc





