
Imunidade
setembro 3, 2015
Muß Es Sein
setembro 17, 2015Odeio domingos, odeio!
A mesma programação inútil na TV, a mesma preguiça de levantar da cama e preparar o almoço.
Pior que o domingo é só a segunda, quem gosta de segunda?
Terça feira, é só meio dia e já trabalhei por três dias inteiros. Meu chefe deve achar que nasci com quatro cérebros e doze braços. “Pensa, pensa, se agiliza! Temos que terminar isso hoje.”
Quarta feira e a semana poderia ter a delicadeza de acabar hoje! Bem, se a semana não acaba, ao menos o dia está se indo. Meu corpo está esgotado, mas minha mente não me deixa dormir. Só mais um rivotril.
Quinta feira! Vamos glorificar em pé, só falta um dia para a sexta.
Toma café, toma rápido, o ônibus já vai passar. Corre, corre, ele não espera, ninguém espera, nada espera por você.
15h PM. “Você tem uma nova combinação no tinder”. “Vamos tomar um café? ”
Vamos, vamos sim. Vamos tomar um café! Aquele café para contarmos o quão interessantes somos, pra jogar, cabelo pro lado, pra fingir que não estamos de saco cheio de tudo. Pra duas semanas depois não nos falarmos mais e marcarmos outro café, com outro alguém, pra fingir mais uma vez.
Vamos fazer isso. Não vamos contar do rivotril, nem do chefe que nos ordenha diariamente, nem do choro a noite pela saudade de casa, nem que não sabemos o que queremos da vida. Vamos nos apresentar a estranhos como se conhecêssemos a nós mesmos, vamos mentir para outrem, vamos acreditar no que dizemos.
Vamos voltar para casa sozinhos, vamos continuar sozinhos. Vamos esconder nossas fraquezas. Não vamos mostrar nada demais para não parecer carência. Vamos descartar um a um, semana à semana, café, à café. Pois somos tão sortudos, tão desejáveis, tão rodeados de quereres, de likes, de possibilidades, de opções. Como somos sortudos! Santa tecnologia, que nos aproxima. Aproxima? De quem?
Vamos continuar reclamando sozinhos. Vamos continuar na estabilidade, porque não somos fracos. Não vamos buscar nossos sonhos, não vamos largar tudo. Não vamos chutar o balde. Não vamos marcar o segundo café. Não vamos falar de problemas abertamente. Não vamos buscar solucionar os problemas. Não vamos aprender outro idioma, é tarde demais. Não vamos fazer aquela viagem, é cedo demais. Não vamos tentar nada que nos tire da zona de conforto. Vamos continuar vivendo da forma que achamos “certo”, mesmo que isso custe uma felicidade inteira. Afinal, não somos fracos.
por Karyse Teixeira





