
Ninguém chora com filme de terror
setembro 28, 2015
Entre pensamentos e a realidade
outubro 5, 2015Texto da Giulia Goes, 12 anos.
Ilustração do Alexandre Sanfelice Cavalheiro, 14.
Numa noite, estava no meio do calçadão da rua XV. Estava tudo escuro e o céu estava estrelado e com a lua cheia. Não tinha ninguém lá, quando de repente, ouvi um barulho na escuridão. Pareciam rosnados fortes. Fui para casa, na periferia de Curitiba, era uma casa de madeira, poucas janelas, antiga e com um jardim na frente.
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Há três anos meu cachorrinho Bolota morreu, enterrei ele junto às plantas do meu jardim. Uma semana depois do ocorrido, as plantas morreram, como se nada pudesse viver no lugar. Achei estranho, pois nada desse tipo havia acontecido antes.
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Hoje as plantas do meu jardim estão mortas. Já tentei plantar novas flores, mas não resolveu.
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Numa quinta-feira, acordei sem luz, pois tinha chovido à noite. Estava andando na minha casa, tentando achar a cozinha, quando vi Bolota correndo pelo jardim, e o buraco onde o enterrei, aberto.
Fiquei assustada e resolvi ver se era ele mesmo. Quando me aproximei do buraco ouvi um latido muito alto, me assustei e caí dentro daquele sulco. Minha vizinha ouviu o barulho e foi ver o que era. Ela me viu lá dentro e me ajudou a sair. Contei-a tudo o que tinha acontecido.
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Depois daquele dia, nunca mais vi o Bolota.
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No fim do ano ganhei um cachorrinho, morto de infarto, uma semana depois. Resolvi não ter mais cachorros, pois sabia que morreriam.
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Fui com minha vizinha para o calçadão da XV, no meio da noite, andávamos no lugar quando avistei o corpo de meu último cachorro, na grama, ao lado de um buraco; uma placa com meu nome: Giulia Gonçalves Goes, nascida no dia 10/09/2003, morta no dia 15/09/2015.





