
Dente de ouro
outubro 26, 2015
Meia noite
outubro 31, 2015Texto do Alexandre Cavalheiro, de 14 anos.
Ilustração da Marceli Mengarda.
Eu sou um escritor. Posso ser reconhecido por escrever muito sobre o inferno e a escuridão. Isso se deve parcialmente à minha esquizofrenia , que me concede perturbantes visões e visitas frequentes de almas do submundo.
Já disse isso à mídia, quando me perguntaram a que devo meu sucesso, mas ninguém acreditava. Durante uma entrevista, algumas semanas atrás, um blogger, atrevido, devo acrescentar, ousou criticar, menosprezar e até ofender meu trabalho e minha carreira, pelo simples fato de eu ser esquizofrênico. Infelizmente perdi o controle e o ataquei. Fiquei tão enfurecido que perfurei seu olho direito com uma caneta que tinha em meu bolso…fui enviado a esse pequeno quarto, nesse asilo mental isolado no Pacífico.
A intenção do governo em fazer isso, aparentemente, era extinguir, por completo, todos os traços de minha esquizofrenia, mas, infelizmente, só piorou.
As visões se tornaram mais sombrias, as visitas mais frequentes e violentas – sim! Violentas! -, antes pacíficas, agora os visitantes do inferno me agridem. Havia quebrado um braço, duas costelas e, pelo que parece, levei uma facada nas costas. Estava ficando louco.
Perdi tudo. Trabalho, lar, sanidade.
Eu não aguentava mais. Estava me preparando para me enforcar com os lençóis do meu quarto no sanatório quando, de repente eu…..
– Alexandre? – mas o quê – Alexandre?
– Tá aqui prof!
– Acorda!
….Puta que pariu….Cadê os lençóis do sanatório quando se precisa deles??





