
Cidade do além
abril 11, 2016
Das coisas sem lugar
abril 18, 2016Do que você foge,
quando usa a linguagem
pra fingir quem não é?
De que mundo escapa,
no momento do discurso enganoso
que nada diz sobre teu fluir?
Construções em metáforas
Palavras vazias
Inventando pra se fazer entender
Endurecimento, mil máscaras
Rumo a quê?
Fútil, inútil, tudo fadado ao fim
Por que não a verdade?
Esqueça os textos, os esquemas
Deixe explodir
dentro de você
Permita que a cápsula indestrutível
dilacere-se, dilua-se, extingue-se
Exponha entranhas
Esgote certezas
Vibre, apenas
É chegado o tempo
do transbordamento
Fragmentário de abstrações
Lucidez faz sangrar
Ternura também magoa
Ouvir é ocupar-se do outro
Jurar lealdade não é estabelecer elos
Solidão, retirada
Feridas se reconhecem de imediato
Paciência, deixar-se maravilhar
Entusiasmo, desejos em excesso
Expectativas, incapacidade de esperar
Imensidão, ver o mar
Amor é bom e começa tarde
A morte? Um desperdício
Escrito por Priscilla Scurupa
Ilustrado por Ginevra Mandelli





