
Monólogo
junho 25, 2016
melodia, harmonia e o ritmo de mais um dia
julho 1, 2016Acontece que o frio sempre antecede o nascer-do-sol. Como na noite em que estivemos sobre a pedra
Abandonou o parágrafo inacabado e sozinho entre os discos convenceu-se de que os sonhos são simples quando acreditamos, como soubesse
Sabia, mas fingia esquecer que sonhava voltar ao porão em que ouviam seus discos e sentiam as coisas invisíveis
Sim, o porão em que ouviam seus discos e sentiam as coisas invisíveis! Tentou
Era isso: nunca havia deixado de tentar voltar
Voltava, mas negava. Sabia que “voltar era negar-se aos agoras que ainda lhe restam”, como ressoa ainda hoje no calor da boca de Mariana
Era ela. Fechou os olhos e escorreu dentro de si, de onde a poesia nunca havia se ido. Era enfim o que buscava escrever e aos poucos se entrelaçava à voz de Mariana para ver o sol-nascer sobre a pedra que os havia concebido à beira do rio. A partir dali seriam para-sempre-agora.
texto: Rafael Antunes.
ilustração: Carol Rehbein.





