
Para sempre agora
junho 27, 2016
Temporal
julho 2, 2016desperta.
bateria com vassourinha, guitarra com chorus. som de cabeçudo. dinâmica, solo de guitarra, solo de contrabaixo, solo de piano, som de fumaça como num bar. quem pôs isso pra tocar?
acorda e olha pros lados, confuso. de onde vem a música? a janela aberta e o vento entrando, faz frio. puxa a coberta até a orelha enquanto se pergunta se tem tempo até acordar. o relógio mostra que são sete, ele só tem mais meia e aproveita. fecha os olhos, não lembra da madrugada, ou não quer lembrar. quem pôs isso pra tocar?
tenta recuperar lembranças. o som é bonito. é elegante, é melancólico. a guitarra é interessante, o instrumentista sabe tocar mas não é chato, não é o que se espera de guitarrista solo. não deve ser guitarrista solo. certamente é uma banda, mas que banda? para quem vai perguntar? quem pôs isso pra tocar?
dormiu sozinho, tem quase certeza. a janela ainda aberta e o vento entrando, segue fazendo frio. um tempo passa. já são sete e quinze, ele só tem mais quinze e aproveita. os acordes enjoados o envolvem, as notas bonitas o carregam. o troço fica mais intenso, haja dissonância!, mas é tanta dinâmica. fraco, forte. vai ligeiro até ralentar. quem pôs isso pra tocar?
a cortina vibra, se estica, bate na testa. desperta de verdade e na verdade já são oito.
trabalhar, trabalhar, trabalhar.
ninguém pôs nada pra tocar.
por Rômulo Candal
fotografia: Real Cowboys Drive Cadillacs via Compfight cc





