
Desespero.app
fevereiro 14, 2017
Um lance
fevereiro 20, 2017Propulsiono voraz
Aciono o ferrolho
Pra viagem audaz
Rindo do infortúnio
Rumo ao paraíso
Um novo muito velho
Mas ainda suspenso
Nada de equilíbrio
É pura estática
Eu não sou robô
Nunca tive muita prática
Vivo no mundo sujo da Capital
Minha ferida exposta
Clamo o primor sideral
Vida de fronteira
Vô André sabe contar
Com os dedos parcialmente amputados
Desenha no ar
Completa a terceira
Desdiz a primeira
Aponta corpos de luz
Blefa no jogo das ilusões
Adoráveis tempos inúteis
As luzes de alerta são só explosões
Preencha meus ossos ocos
Arrependimento é paraíso
Sem dados ou troco
Sem navegador
Cruzo o segundo oceano
Nova era
Foda-se o descobridor
O plágio é compreensível
Sou replicante
Transfigurado de emoção
Vestindo película invisível
Invado íntima multidão
Sinto, revisito, encaro
Falta de sentido, o fim é a morte
Disparo contra muro instransponível
Aponto os números da sorte
Aposto com a própria vida
You’ll never take me alive
All-in mothafucka
Ouço histórias violentas
Proferidas por lábios senis
Elas são quadros únicos
Dos quais tento não esquecer
A fé não sustenta
Lua após lua
Estrela após estrela
Estão todas no passado
Menos fujo, mais me entrego
Sou mentiroso, não nego
Menos digo, mais completo
Vivo pra contar
O capacete preserva meu sopro
Novo gálea espacial
Cinta jugular
Minha coleira do mal
Limbo intergaláctico
Extingue meu ser
Desacelero meu pacto
Sem gravidade
Assumo a dianteira
Cauda longa
Sempre em curso
Sou poeira
—
Texto de Jadson André
Imagem por Caroline Rehbein





