
O Terceiro
março 13, 2017
Edmundo
março 23, 2017O pai nunca gostou
de contar seus sonhos
ou de pagar caro nas coisas.
Depois de dividir tudo,
a casa, a roupa, a comida, a fé,
o nome, a cor e até
o nariz torto meio quebrado,
guardava os sonhos dentro do cofre,
assim mesmo, meio apertado
com a saudade bem ao lado.
Era um homem
de poucos sonhos
e muitas contas.
Um homem
que sonhava em segredo
para ter algo
para chamar só de seu.
Mas naquela noite
acordou mais magro,
como se perdesse
o amor dentro de si.
Ao acordar de um sonho
em que via que iria partir,
chorava pela tristeza
que sua família iria sentir.
Acabava a divisão.
Teria para ele
uma eternidade inteira,
mas a um custo muito alto,
ao seu filho não daria
mais nenhuma mamadeira.
Foto: Ivan Rigamonti





