
a mente enquanto objeto quebradiço
dezembro 12, 2017
Maria droguinha
fevereiro 22, 2018O começo do sempre foi com muita chuva, em um porão escuro onde sua pele brilhava e seus olhos ardiam, pedindo que fossem fechados para dar passagem aos sonhos que abriríamos juntos. Não era exatamente o que se imagina para esse tipo de história, que merece uma noite de verão com o céu limpo, estrelas brilhantes e lua cheia, mas os sonhos são feitos mais de sentimentos sinceros do que de cenários bonitos.
Conheci a Laura ao mesmo tempo em que descobri o amor. Sem fazer planos, acabei sendo apresentado a mim mesmo, em uma espiral de autoconhecimento levado pela sua mão com doçura. Com ela pude ser eu, e esse é provavelmente um dos melhores presentes que se pode receber de alguém. Juntos, começamos uma vida de aventuras para dentro de nós mesmos, desbravando essa loucura que é sonhar.
À noite nosso quarto tem som de mar. Uma poesia colorida em meio a tanto cinza. Faz com que o navegar pela cama enorme seja leve, e cada encontrar do outro traga a alegria de atracar em um porto seguro. A Laura sempre foi o meu refúgio, e isso deve ter alguma coisa a ver com aquecimento global porque eu sempre fui quente, e ela, sempre o meu mundo. Juntos, pulávamos entre calotas polares, aquecendo nossos pés e criando novas formas de vida. De viver. De sonhar. De ser. Juntos, éramos.
A Laura me apanhou pelo estômago. Não com a comida, mas com o comichão. Minha voz fraquejava um pouquinho a cada vez que, tenso, ligava para chamá-la ao cinema, ao bar, e depois quando lhe propus criarmos nosso próprio lar. O fraquejar sempre me foi uma bússola que apontava a direção do sonho. E sempre me levou até ela, em qualquer lugar ou fuso do mundo. Fraquejando, sonhei com o sempre. Em uma noite com muita chuva, remei para o sonho.





